sábado, 16 de setembro de 2017

Nunca estou onde quero estar

Nunca estou onde quero estar
Jamais estive onde quisesse estar
Sequer desejo estar em lugar algum
Mas ainda, eu quero estar
Quero estar morto porém vivo
Poder sentir minha abstração de tudo que não existe mais
Apreciar minha inexistência e apreciar tudo que não existe mais
Porque tudo que existe é temporário
E essa brevidade é a causa do meu mal-estar

Em vez disso, encontro-me suficientemente vivo
Porém morto, e morro um pouco mais a cada instante
Sempre suficientemente vivo a morrer um pouco mais
E esse lento desfalecimento é, também, causa de meu mal-estar

Não desejo sofrer pelo que não existirá daqui um bilhão de anos
Também não me convém gozar dessa temporariedade
Já amei o suficiente para uma era inteira
Mas todo o amor se foi em intervalo de segundos
E com isso, sofri o suficientemente para dez eras inteiras
E esse sofrimento foi-se em menor intervalo ainda
Agora, eu dispenso a finitude dos sentimentos eternos

Nenhum comentário:

Postar um comentário